Eu cheguei em casa, já era de noite. No meu quarto, as maquiagens usadas mais cedo
estavam jogadas em cima da cama, os meus livros espalhados por todos os cantos e as minhas canetas todas caídas no chão.Não me preocupo muito com a falta de organização.
Tiro a maquiagem, jogo o salto em um canto perto do sofá, guardo a pulseira na penteadeira, coloco o celular para carregar e prendo o cabelo.Faço tudo no meu modo automático.
Tiro a maquiagem, jogo o salto em um canto perto do sofá, guardo a pulseira na penteadeira, coloco o celular para carregar e prendo o cabelo.Faço tudo no meu modo automático.
Minhas mãos podem estar dobrando roupas e tentando arrumar o
máximo de coisas que consigo, mas minha mente está em um lugar bem distante dali.
Tendo uma conversa, uma conversa bem séria e que já virou repetitiva.
Essa conversa é exatamente igual há uma que você já teve
pelo menos cem vezes com a sua melhor amiga – ou melhor amigo – pelo whatsapp.
Só vocês duas, discutindo sobre algo sério. Você, fazendo drama, planejando
loucuras, em guerra por dentro. Sua amiga, te dando calmaria, cheia de
sabedoria e freando seus impulsos de loucura.
Em mim, acontece uma conversa exatamente como essa aí de
cima, mas meu coração é você e sua amiga é meu cérebro.
Os dois estão tendo uma discussão séria, direta e
particular. Mais ninguém tem direito a ouvir, falar e muito menos opinar.
Meu coração sendo louco, sonhador e cheio de emoção.
Minha cabeça sendo calma, realista e cheia de razão.
Nenhum dos dois conseguem chegar em consenso sobre o que está
acontecendo dentro de mim.
Muito menos concordam no que eu deveria fazer.
Minha cabeça, irredutível, diz que tenho que ter paciência.
Que não posso arriscar me entregar, me quebrar, porque depois vai ser difícil me
juntar.
Meu coração, também irredutível, discorda bravamente. Pior
que me quebrar é duvidar, continuar a insinuar, esconder só vai continuar a me
quebrar.
E eles lutam. E discutem. E discordam.E fazem isso há
semanas.
E eu sei que essa é uma batalha que ninguém mais deve
interferir. Eles dois tem que se resolver, alguém tem que ganhar e alguém tem
que perder.
É uma luta constante, não só em mim, mas na maior parte das
pessoas que conheço e já conheci. É bem conhecida também, aliás.
Coração vs Razão.
Eu tenho lá meu lado favorito nessa luta. Mas acho melhor
continuar quietinha, apenas escutando a discussão. Com o tempo, eles vão
falando mais baixinho, não vão?
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